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Bem vindo!

Bem vindo ao Bar do Rafa! Este é o balcão onde se servem as melhores bebidas, todas elas com um leve sabor de literatura. Meu nome é Rafael Marchesin e eu sou o seu barman hoje. O que deseja? É só pedir que eu lhe sirvo.

Aproveite para provar estes aperitivos, acabaram de sair do forno.

“Sonhos FM” é ótimo para acompanhar uma cervejinha e os melhores sommeliers dizem que “Poesuras” cai muito bem com uma deliciosa taça de vinho.

   

Ontem, dia 2 de janeiro, terminei de ler A volta ao mundo em 80 dias, de Júlio Verne, o segundo livro que leio desse autor. Eu pensava estar familiarizado com a história por ter assistido ao filme com Jack Chan, mas estava muito enganado, pouco tem a ver o filme com o livro. Na realidade, apenas a olta ao mundo em 80 dias e os nomes dos personagens principais é que se assemelham, por outro lado, todas as aventuras dos personagens são muito diferentes. Gostei muito de ler o livro, é uma leitura realmente cativante, há muita informação interessante sobre os lugares por onde os personagens passam. É, sem dúvida, uma aventura muito boa. Como sempre, recomendo livros e este não deixarei de fora. Quem tem interesse em conhecer a verdadeira história de Phileas Fogg e seu criado Passepartout deve ler A volta ao mundo em 80 dias. Mais uma vez o livro que li pertence à coleção Grandes Aventuras da Editora Abril. São exatamente 200 páginas de pura aventura e apreensão numa adaptação de Edy Lima. Não perca tempo e embarque agora mesmo nessa aventura ao redor do mundo!

Li Vinte mil léguas submarinas em pouco mais de dois dias, iniciando na noite de Natal e terminando hoje pela tarde. É um livro extremamente atraente, me conduziu pelas ondas do oceano até a última página. Foi, essa, a única obra de Júlio Verne que li até hoje, não me deixou decepcionado, aliás, encontrei no livro, uma enorme semelhança com meus escritos, o não terminar satisfatoriamente uma história. Como assim? Júlio Verne conduz o leitor criando dúvidas que, supostamente, deveriam ser desvendadas no futuro – as dúvidas eu traduzo como pequenas histórias dentro livro. E o que acontece? Nada, simplesmente as dúvidas não são solucionadas, elas apenas persistem para a eternidade. Eu faço muito isso. É, não sei mais se devo fazer, pois estou, agora, angustiado por não ter terminado o livro com todas as respostas. A versão que li de Vinte mil léguas submarinas pertence a coleção Grandes Avnturas da Editora Abril e foi traduzida para o português por Paulo Mendes Campos. Creio que o tradutor tenha sido fiel à obra de Júlio Verne. A história é narrada em primeira pessoa e os capítulos são curtíssimos, tendo o maior deles cinco ou seis páginas. O livro com 144 páginas possui 43 capítulos e mais uma conclusão. Isso pode até facilitar a leitura daqueles que não gostam de ler muitas páginas de uma única vez e acabam se perdendo nas entranhas dos capítulos, o leitor pode descansar entre os capítulos. Sempre recomendei os livros que li aqui no blog, não farei diferente desta vez, se você tiver o interesse de se aventurar em uma fabulosa viagem submarina, pegue Vinte mil léguas submarinas e engula um pouco de água salgada! Depois aproveite e deixe seu comentário aqui no blog.

Ligação de engano

A vida que Tomás levava era muito simples, acordava muito cedo, tomava seu café da manhã e logo seguia o caminho para o trabalho num ônibus circular.

Certo dia, Tomás acordou cedo como sempre, foi à cozinha preparar o café e depois seguiu para o trabalho. Quando chegou ao trabalho, teve a notícia de que um de seus clientes estava com problema com um dos produtos que havia comprado: assentos sanitário.

‑ Mas esse assento não cabe no meu vaso sanitário! – dizia o cliente.

‑ Deixe-me ver. – pediu Tomás ao homem.

Tomás avaliou o assento sanitário, parecia tudo em ordem.

‑ Deve ser o modelo do assento que está causando problema, você trouxe o molde do seu vaso sanitário?

‑ Não.

‑ Então vem comigo, vou te mostrar os modelos de vaso sanitário que temos aqui na loja e você tenta reconhecer o que se parece com o da sua casa.

Os dois homens foram até um canto da loja onde havia uma enorme exposição de vasos sanitários, havia de todo tipo, pequenos, grandes, redondos, quadrados e triangulares. Tomás disse ao homem:

‑ Algum desses assentos parece com o do senhor?

O homem olhou para os assentos e depois olhou para Tomás.

‑ O senhor pode me dar licença? – disse o homem. – Não quero que o senhor invada a minha privacidade.

Tomás balançou a cabeça de cima a baixo bem lentamente, concordando com o homem e saiu para um canto. Resolveu esperar o cliente numa sessão diferente, o setor de telefonia. Havia poucas pessoas ali, só um funcionário da loja que trocava algumas etiquetas de preços nas gôndolas. Logo ele desapareceu de vista e Tomás perdeu seu tempo olhando os aparelhos telefônicos que estavam expostos. Eram de todos os tipos, com dígitos comuns, em formas de botão, com dígitos em forma de visor digital, alguns eram apenas fones de ouvido com microfone e outros eram estranhos, pareciam apenas uma caneta fina com espaço para falar e ouvir, mas um em especial chamou a atenção de Tomás, um telefone vermelho, com aparência muito antiga, os números de discagem eram daqueles que giravam. Tomás ficou um tempo admirando o telefone, pensando no por que haveria um telefone desses para vender ali se eles haviam saído de linha há muito tempo. Olhou pensativo para o telefone.

‑ Bem que eu podia ter um desses…

Tomás foi tirado de seu transe pelo cliente que ainda segurava o assento sanitário nas mãos.

‑ Eu acho que encontrei o vaso parecido com o que tenho em casa.

‑ Então me mostre.

‑ Não, eu quero privacidade.

‑ Mas como eu vou poder ajudar o senhor se eu não sei qual é o vaso sanitário que o senhor tem em casa?

O homem ficou pensativo e, depois de um tempo, decidiu levar Tomás até onde se encontrava um vaso sanitário retangular e grande.

Tomás não conseguiu segurar uma risada, o vaso sanitário que o homem lhe indicou era muito extravagante, mas nem foi o formato do vaso que fez ele rir, mas o assento que o homem havia escolhido no dia anterior para encaixar no seu vaso sanitário.

‑ Mas é claro que o senhor não iria conseguir encaixar esse assento no vaso sanitário do senhor, ele é redondo e o vaso que o senhor tem em casa é retangular, sem falar que é muito maior do que o assento que o senhor escolheu.

O cliente pareceu deveras ofendido com as palavras de Tomás, resmungou baixo e mudou de cara no mesmo instante.

‑ Então me mostre um assento que se encaixe no meu vaso sanitário! – falou o cliente secamente.

Tomás mostrou o assento ao homem, ele pegou um assento de uma cor quase verde florescente e foi até o caixa. Tomás ainda escutou o cliente dizer entre dentes:

‑ Eu vou denunciar esse funcionário para o gerente da loja, onde já se viu, além de querer saber da vida íntima das pessoas ainda faz gozação!

“É, o dia vai ser difícil”, pensou Tomás.

E foi mesmo, aquele não foi o único problema que Tomás teve com clientes no dia, teve um que teimava que queria um assento sanitário cinza, mas apontava toda hora para um azul e, quando Tomás aceitou que o azul era cinza, a pessoa virou para ele e teimou que ele o havia induzido a comprar o azul só porque era mais caro.

Por volta das seis horas da tarde, Tomás se livrou do último cliente e foi tirar o uniforme. Quando seguia para a saída da loja, passou no corredor em que estava o telefone vermelho. Parou novamente quase que hipnotizado, com os olhos namorando o telefone. Ele adorava tudo o que parecia antigo.

Ele abriu a carteira e viu quanto que tinha de dinheiro, não era muito, mas era o suficiente para comprar o telefone. Ele pegou o aparelho e o levou para o caixa.

‑ Uau, faz tempo que esse telefone está parado lá na prateleira – disse a garota que estava no caixa da loja ‑, ninguém nunca quis comprar ele. Vou te dar o desconto de funcionário, está bem?

Tomás saiu contente da laja e não se preocupou com o caminho que ainda teria que percorrer até sua casa num ônibus lotado de pessoas exaustas com mais um dia de trabalho. Ficou olhando o telefone todo contente como uma criança que acabara de ganhar um brinquedo que queria muito.

Quando chegou em casa, Tomás tratou logo de substituir o telefone da sala pelo que acabara de comprar. Instalou o novo telefone numa mesinha perto do aparelho televisor, e lá deixou o aparelho na expectativa de que alguém ligasse e, assim, ele poderia testá-lo.

Foi para a cozinha, preparou o jantar, mas não aguentava esperar, hora ou outra corria para perto do telefone e o tirava do gancho para ver se funcionava, o telefone parecia em perfeito estado.

‑ Para quem eu posso ligar? – se perguntou Tomás, mas não lhe vinha ninguém na cabeça.

Deixou o telefone de lado e foi jantar.

Quando já ia deitar e acreditava que ninguém mais o ligaria naquele dia, escutou o som vindo da sala. O telefone tocava como um despertador antigo desengonçado, fazia o som de um sino que tocava descompassadamente. Tomás correu para atender o telefone antes que a pessoa desistisse de continuar chamando.

‑ Alô – disse ele.

‑ Jefersom? – perguntou a voz no outro lado do telefone.

‑ Não, aqui é Tomás.

‑ Ah, me desculpe, foi engano.

Desligou o telefone.

Tomás ficou feliz. Mesmo sendo uma ligação de engano, ele pode provar que o telefone funcionava e muito bem, por sinal. Ficou todo contente e foi se deitar com um sorriso no rosto.

No dia seguinte, Tomás chegou ainda mais tarde do trabalho e deu menos importância ao aparelho vermelho na sala. Já estava provado que funcionava e agora o via só como um adorno ao cômodo.

Novamente, quando ele ia dormir, o telefone tocou e Tomás correu a atendê-lo.

‑ Alô. – disse mais uma vez ele ao telefone vermelho.

‑ Alô, Tomás?

‑ Sim, quem é?

‑ Sou a pessoa que te ligou ontem, estava procurando Jefersom, acabei ligando para você por engano.

‑ Ah, sim.

‑ Eu gostaria de conversar um pouco com você.

‑ Sobre o quê?

‑ Sobre a sua vida.

Tomás soltou uma leve gargalhada e colocou a mão no gancho do telefone. Esqueceu logo do aparelho, pensou só no que queria aquele homem saber da sua vida. Tomás não era bobo, sabia que tinha muita gente que ligava fingindo ser engano só para descobrir dados da vida pessoal, para depois usar esses dados em fraudes ou assaltos.

Curioso, Tomás tirou a mão do gancho e escutou novamente, o homem ainda parecia estar do outro lado da linha. Ele escutou o silêncio na linha por um tempo.

‑ Tomás? – disse, enfim, a pessoa no outro lado da linha.

‑ O que você quer?!

‑ Quero saber um pouco sobre a sua vida.

‑ O que você quer?! Quer saber os meus dados para poder me roubar, é isso?!

‑ Não, só quero conversar.

Tomás foi impaciente e desligou novamente o telefone, dessa vez batendo o fone com força no gancho.

Foi se deitar, estava cansado e teria outro longo dia de trabalho no dia seguinte. Mas quem disse que ele conseguiria dormir? Não parava de pensar no telefonema que recebera. Girou de um lado para o outro na cama até que não aguentou mais e voltou à sala. Tirou o telefone do gancho e o levou ao ouvido. O silêncio dominava.

‑ Tomás?

Assustou-se o homem sentado na poltrona da sala.

‑ Você ainda está aí? – perguntou assustado Tomás.

‑ Sim, quem liga é quem pode realmente desligar a ligação.

‑ Desliga essa porcaria de telefone! Eu vou ligar para a polícia! – gritou Tomás e bateu com força o fone no gancho. Um cachorro começou a latir na rua ao lado de fora da casa.

Ele foi à cozinha, não conseguiria mais dormir. Andou de um lado para o outro pensativo, preocupado. “O que é que aquele homem quer comigo?”, pensou enquanto fervia água para um chá, “Se ele não desligar o telefone eu nem ao menos poderei ligar para a polícia!”.

Não deu outra e ele foi novamente para o telefone.

‑ Você ainda está ai?! – perguntou Tomás com rispidez.

‑ Estou sim.

Mais uma vez desligou o aparelho telefônico.

Quando o sol estava raiando, Tomás foi se preparar par ir ao trabalho. Estava exausto por não ter dormido a noite.

‑ Eu não vou mais atender esse telefone! Que desgraça a minha ter comprado ele ontem!

No entanto, antes de sair para o trabalho foi verificar se o homem ainda estava na linha. “Ele não pode ter ficado a noite toda do outro lado me esperando”, pensou. Quando levou mais uma vez o fone ao ouvido, escutou:

‑ Eu vou contar até três.

Instantaneamente depois das palavras, o rosto de Tomás ficou purpura e seu olhar ficou o infinito. Ele se sentou devagar na poltrona da sala e lá ficou com o telefone ao ouvido.

‑ Agora você vai sentir uma vontade enorme de me obedecer – continuou a voz ao telefone. – seus olhos estão pesados, você se sente pesado, mas sabe que é feito de pedra como uma estatua e não deixará o corpo mexer um só centímetro. Agora teus olhos parecerão duas esferas de vidro e não se mexerão mais – fez-se um silêncio momentâneo do outro lado da linha. – Agora, quando eu contar até três, você voltará ao normal. Um.

Repentinamente escutou-se uma outra voz do outro lado do telefone:

‑ O que você está fazendo?! – era uma voz de mulher e parecia muito brava.

E, repentinamente, escutou-se uma forte ruído seco do outro lado da linha e a ligação caiu.

Tomás ficou paralisado segurando o fone ao ouvido. O som de ligação cortada ressoava constante em seu tímpano. Ele não se mexeu. Não moveu um único músculo. O que será que a pessoa do outro lado da linha pretendia fazer? Isso ninguém sabe, mas se, em algum momento, desejou tirá-lo do transe, nunca mais conseguiria, pois o telefone fora do gancho, na mão de Tomás, não permitiria mais novas ligações.

Ninguém descobriu o homem parado na poltrona com o telefone na mão. No trabalho, não ligaram para as suas faltas, acreditaram apenas que ele já estava de saco cheio de vender assentos sanitários e que resolveu não aparecer mais por lá. E ninguém foi atrás dele.

Ele vegetou imóvel por muito tempo, a vida esvaiu e depois ele existiu, ainda, por muito mais tempo, feito uma estátua de músculos eternizada. Tomás ficou imóvel naquela sala até que uma população muito mais evoluída o encontrou durante uma escavação para entender o estilo de vida dos antigos moradores do planeta. Tomás virou atração e todos descobriram, assim, o modo como os antigos se comunicavam.

Eu bem que tentei ser uma pessoa séria, alguém que se veste conforme manda a música, mas a verdade é que eu não consegui, a minha natureza me chamou e eu estou novamente na loucura diacrônica (ô, vai-se lá lembrar de Saussure) de sempre.
O Bar do Rafa era o espaço para a seriedade, mas a seriedade nunca tomou conta de mim, então, decidi que o Bar do Rafa volta a ser o espaço para bebidas, diversão e literatura ao gosto do freguês. Tentando ser sério, coisa que eu não sou, não consegui escrever mais nada para colocar aqui.
Mas eu voltei a escrever com gosto! E agora faço parte do blog Nonsense: Escritores leves, loucos e felizes, junto com o Dieguito e com Ebrael. Meus textos estão bombando lá, nunca recebi tantos comentários por posts meus em blog, mas devo isso ao Dieguito que é um tanto famoso na internet, já.
Será que agora a literatura voltará ao meu sangue com aquele tom leve e solto que antes dominava? Espero que sim! E parece que meu espírito já está retornando ao que era! Estou cheio de vontade de escrever! A cada vez que termino um texto, desligo o computador satisfeito, mas não dá outra, quando eu vou fazer alguma outra coisa, uma nova idéia surge e eu preciso logo correr e ligar o computador de novo para escrever!
Eita, dá uma olhada lá no blog Nonsense!
http://nonsenseloucosefelizes.blogspot.com

Grandes abraços do velho e sempre barman Rafael.

Escrevi este post na sexta-feira, mas por motivos de tempo, só consegui postá-lo aqui no blog hoje.

O meu dia de ontem só terminou realmente quando o dia de hoje estava por começar. O que eu posso dizer do dia de ontem? Foi, sem dúvida, um dia maravilhoso! Acordei horripilantemente com uma sensação estranha dentro da minha barriga, estava morrendo de medo da palestra que eu daria logo mais, nas primeiras horas da tarde, na UNESP. Treinei inúmeras vezes minha fala. De tarde fui para a matadouro… duas horas da tarde estava eu na UNESP prestes a enfrentar um público amante das letras e literatura. Tive o grande prazer de dividir a mesa de palestrantes com os conceituadíssimos escritores Walter Merlotto e Sidnei Olivio. Era eu, um escritor novato, que não possui quase nenhuma experiência, ao lado de dois grandiosos escritores. Eu tímido, como sempre, nervoso como sempre ao enfrentar um público, me saí até que bem na minha apresentação, por incrível que pareça, até fiquei descontraído e toda aquela estranheza que sentia outrora em minha barriga deixaram de existir. Milagre? Vai saber-se lá! Não sei se falei bem, mas falei o que eu queria falar e, inclusive, fui elogiado.
Gostei muitíssimo de escutar as experiências como autores do Walter e do Sidnei, sou, eu, apenas um andarilho que sonha em alcançar um tantinho do que eles já conquistaram. Tenho certeza que não chego aos pés deles, mas não os invejo, os admiro, porque é na admiração que a gente se esforça para alcançar um patamar tão próximo ao que eles já conquistaram, é na admiração, que reconhecemos trabalhos tão fascinantes e incríveis que nos levam a criar trabalhos tão fascinantes e incríveis quanto o os que admiramos! Vi ontem duas figuras fascinantes, duas figuras que sentaram-se ao meu lado e me deram uma aula; não só de como ser poeta e escritor, mas de garra, de perseverança, do lutar contra o instinto de desistir e vencer e conquistar o sonho. Sonho é aquilo que conquistamos quando nos damos o direito de admirar.
Eu tive a maior oportunidade ao estar ali, ao lado daqueles dois homens, vi um trabalho, vi experiências e luta. Maravilhado fiquei quando o Walter se aproximou de mim e, num simples gesto de estender o braço, me presenteou com um de seus livros, o mais recente que publicou. Fiquei maravilhado no instante que o Sidnei me convidou para tomar um café, quando trocamos algumas palavras e ele me deu algumas dicas. Os dois escritores, além de serem maravilhosos escritores foram pessoas que me trataram como tal. Acredito até que não fiquei nervoso no momento de apresentar meu trabalho porque estava do lado daqueles dois homens!
O dia de ontem foi o dia de literatura, que não acabou no instante em que a palestra acabou. Continuou tarde adentro e noite adentro. Continuou no instante em que eu parei para conversar com os amigos, no instante que eu perdi a palestra do Cláudio Aquati (segundo no prêmio Jabuti) e continuou no momento em que eu fui para o café literário. Foi uma noite de muitos goles de café e de literatura.
Se alguém disser que a lua lá no alto não estava diferente das luas dos outros dias, essa pessoa muito se engana, não teve literatura num sangue de noite literária. A lua pairava lá no alto feita névoa condensada em forma de esfera. Era, talvez, a bola de cristal mostrando um mundo feito letras surgindo na minha frente. E era uma lua rebuscada, cheia de névoa condensada e com um toque de sombra projetada pela Terra, o que quer mais do que isso? Que ornamento melhor do que este existe para uma obra de arte? Uma pintura feita de sombra da Terra? Se era aquela, a lua de lobisomens, isso eu não sei, mas sei que aquela era a minha lua, a lua de um homem que nasceu para sonhar, um homem que nasceu para admirar.
Foi um dia condensado num suspiro que significou muito mais do que apenas o silvo quase silencioso do expandir e retrair do diafragma….

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